segunda-feira, 23 de dezembro de 2013

O Pássaro Azul

O Pássaro Azul

Do infinito
atravessou as trevas
rasgou nuvens
um pássaro azul
como nunca vi

Sobrevoou montes e vales
rodopiou três vezes
à minha volta
destemido e imaginário
pousou à minha frente

Parecia uma águia
de plumas azuis
Aumentou de tamanho
e pôs uma asa ao meu ombro
então escutei a voz dele

Obedeci e saltei para o dorso dele
como se fosse um cavalo alado
A princípio com medo
voámos pelas terras do nunca
cobertas de maravilhas

Voámos horas
pelo encanto dos Deuses
terras nunca vistas
perdidas no espaço
então desceu suavemente

Um local inesquecível
coberto de sonhos
em frente havia uma caverna
com um portal em ouro
Era uma autêntica magia

A porta abriu-se
e alguém me convidou a entrar
tinha uma luminosidade estranha
e ouviam-se cânticos celestiais

Uma dama toda vestida
com fato dourado e carmim
sorriu e abraçou-me
Fiquei perdido por ela
e o meu passado desapareceu

Nem sabia já donde viera
Meu fato automaticamente
resplandeceu
A atracção foi pura magia
e ali fiquei até à eternidade.

Pedro Valdoy

Verdadeira Amizade

Verdadeira Amizade

A amizade
deve ser como um rio
que se renova
se expande

A verdadeira amizade
continua
mesmo em alturas
de tempestade

As horas sentem-se
nos corações dos amigos
na cavalgada longínqua
na serenidade dos tempos

Por tempos difíceis
ela é perene
como uma rosa que chora
como um dilúvio.

Pedro Valdoy

domingo, 22 de dezembro de 2013

Folhas ao Vento

Folhas ao Vento

De uma simples árvore
na velhice dos séculos
uma folha voou
ao sabor do vento

Trouxe sabedoria
o génio encantador
na imortalidade
daquela simples folha

As folhas caem na minha alma
como gotas de orvalho
cobertas de serenidade
de amor   de solidariedade

São prantos de uma infância
esquecida no Outono da vida
no deslizar dos rios
quebrados pelo mar

As folhas ecoam no meu cérebro
na transparência dos tempos
na lentidão dos meus passos
esquecidos pelo vento.

Pedro Valdoy

o passar do tempo

o passar do tempo

no cântico das horas
oscilam as sereias
no mar imenso
na doçura das ondas

no palco dos minutos
o arlequim inebriado
canta a melodia
do sarcasmo isolado

nas estepes dos segundos
soletram as crianças
a ingenuidade de um baloiço
no jardim coberto de lirismo

na tua vontade está
a singeleza do amor
perdido nas açucenas
no descalabro dos tempos.

pedro valdoy

Há Palavras

Há Palavras

Há palavras que se perdem
como estrelas cintilantes
no imenso Universo
silenciosas magoadas

Há palavras
de sangue de desânimo
atroz e degradante
neste pequeno mundo

Palavras memoráveis
porque não
através da delicadeza
da harmonia da paz

Há palavras 
de saudade imensa
de meu pai ou mãe
ausentes deste mundo

Palavras  palavras
que sorriem
e soltam-se de felicidade
de surpresa em surpresa.

Pedro Valdoy

sábado, 21 de dezembro de 2013

Lábios

Lábios

São palavras dos teus lábios
cor de mel na estrada
doce e meiga  tranquila

Por vales térreos
sinto as sílabas na serenidade
do teu jardim de chocolate

Letra a letra constróis o amor
de uma vida risonha
por ruelas da tua casa

São exclamações do teu ser
na revolta silenciosa
ao sentir o frémito doce

Na altura sentirás
o amadurecer de uma eternidade
coberta de ternura num sonho meu.

Pedro Valdoy

A Estrada

A Estrada

Por caminhos e desvios
soam meus passos
por uma rua estreita
quando te conheci

Sinuosa e bravia
era a estrada
coberta de duas vidas
quando se encontraram

Hoje a estrada é longa
larga   apetitosa
recheada de teus seios
quando o amor é eterno

A velocidade é lenta
quando caminhamos
como dois namorados
esquecidos do tempo.

Pedro Valdoy